O NATAL
SECÇÃO CULTURAL DA ESCOLA TÉCNICA
O NATAL
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| O Presépio |
Poucos
dias nos separam do Natal. Tudo, nas ruas, nos grita esta aproximação.
As montras, o velhinho da longa barba, as iluminações. Cada um pergunta a
si mesmo, enumerando aqueles a quem deseja presentear: «O que vou eu
oferecer-lhe?».
É
o momento em que toda a gente corre as montras duma ponta à outra, na
esperança de descobrir, modesto ou rico, segundo os meios de que se
dispõe, o objecto inesperado ou ardentemente desejado, que encantará
aqueles a quem se envia.
Pequenos
e grandes, pertencendo a um ou outro sexo, andam numa roda-viva, vão e
vêm, chocam-se, carregados de embrulhos multicores, com formas e
dimensões variadas.
Tanto
os que vendem, como os que compram, sentem-se invadidos pela fadiga.
Depois tudo se normaliza. O dia, a hora, tão desejada, está prestes.
Respira-se finalmente. A atmosfera desanuvia-se. Em cada lar, vai-se
aprontando o necessário. Preparam-se as rabanadas, bolo-rei, a aletria,
os formigos, as filhós.
Onde
há crianças, o ambiente sofre mais influência da época que se aproxima.
Em geral, todos tentam melhor ou pior, amar o presépio com as suas
figurinhas e arranjar a árvore de Natal, num canto da sala, guarnecida
de bolas rutilantes.
Por
fim surge a noite tão ambicionada, tão desejada, para todos, mas em
especial para as crianças. Como tradição dos nossos antepassados
comem-se as saborosas batatas cozidas. Após o jantar, a família, forma
um círculo à volta da lareira. Como distracção, conversam animadamente,
jogam ou por vezes apreciam a tagarelice das crianças, em que os seus
olhitos bulham mais e os sonhos voam muito mais alto.
A
meia-noite vem-se aproximando. Como uso antigo, celebra-se uma missa,
que tem por nome, «Missa do Galo» e que várias famílias compartilham.
Surge o dia, é para nós uma satisfação, contemplar o horizonte que se
depara em nossos olhos; as crianças vestidas de roupas novas e
brinquedos nas mãos, conversam uns para os outros, em viva alegria,
sobre os presentes que o Menino Jesus lhes trouxe. Oh! Natal é a quadra
festiva mais linda, que todos os anos, a humanidade atravessa. Festa em
especial das crianças.
Maria Cândida
In jornal "O Tempo" de 4 de Janeiro de 1970

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