CURSO DE FORMAÇÃO FEMININA
CURSO DE FORMAÇÃO FEMININA
Mal
terminaram os primeiros Exames de Admissão, na Escola Industrial de
Penafiel, um grupo de encarregados de educação pressionou, quer através
da imprensa local, quer através do Director deste estabelecimento de
ensino Dr. Hernâni Dias da Silva e do Presidente da Câmara de Penafiel,
Dr. Francisco da Silva Mendes, para o Ministro da Educação Nacional Dr.
Francisco de Paula Leite Pinto, autorizar o arranque do Curso de
Formação Feminina, no início do ano lectivo, ou seja, a 9 de Outubro de
1961.
Apesar
de todo o esforço e empenho, o Curso de Formação Feminina, apenas viria
a ser leccionado na Escola Industrial de Penafiel, no ano escolar de
1963 / 1964, em virtude dos alunos inscritos não ser o suficiente (30)
para o seu arranque nos anos de 1961 e 1962, pelo que, toda esta luta
foi inglória.
Só
depois de ter sido verificado se esse número justifica a criação do
curso é que é feita a respectiva exposição ao Sr. Ministro da Educação
Nacional.
Dada
a urgência que há em ser feita aquela exposição é da maior conveniência
que o mais depressa possível todas as interessadas passem pela
Secretaria da Escola, a funcionar na Câmara Municipal.
Por
informações colhidas – rigorosamente em última hora – sabemos que já se
dirigiram à Secretaria da Escola cerca de uma dezena de interessadas.
In jornal “Notícias de Penafiel” de 21 de Julho de 1961
FOI PEDIDO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
A CRIAÇÃO DO CURSO DE FORMAÇÃO FEMININA
Em
ofício dirigido ao Sr. Ministro da Educação Nacional e por iniciativa
do Sr. Dr. Hernâni – que já foi nomeado Director da Escola Industrial –
foi pedida a criação do Curso de Formação Feminina.
Aguarda-se, agora, uma resposta, continuando aberta a inscrição para os alunos que desejem vir a frequentar aquele curso.
Entretanto,
a vinda a Penafiel dum senhor inspector do Ensino Técnico, como se
anuncia nesta edição, parece querer confirmar o interesse dos
responsáveis pela criação daquele curso.
Entretanto
estão inscritas 20 alunas, para aquele curso, prevendo-se, ainda, a
inscrição de mais, dado que há, nos concelhos vizinhos, o maior
interesse pelo seu funcionamento.
In jornal “Notícias de Penafiel de 28 de Julho de 1961
In jornal “Notícias de Penafiel” de 4 de Agosto de 1961
MATRÍCULAS
O
número de inscrições para o primeiro ano do Ciclo Preparatório
ultrapassou uma centena. Para o Curso de Formação Feminina a inscrição
provisória atingiu quase que o número desejado.
O
Senhor Presidente da Câmara, acompanhado do sr. Dr. Hernâni Dias da
Silva irá, nos primeiros dias do próximo mês a Lisboa, para tratar junto
do Ministério da Educação Nacional da criação de novos cursos de
Formação na Escola Industrial de Penafiel.
In jornal “Notícias de Penafiel” de 25 de Agosto de 1961
In jornal “Notícias de Penafiel” de 22 Setembro de 1961
A JUNTA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DEU PARECER NEGATIVO PARA A CRIAÇÃO DAQUELE CURSO
No
próximo ano lectivo (1961 / 1962), não funcionará, o curso de Formação
Feminina, na Escola Industrial de Penafiel – e, ao que sabemos essa
informação foi fornecida por via particular.
Depois,
através da Câmara Municipal, tivemos a confirmação oficial, com a
certeza do parecer desfavorável da Junta Nacional de Educação.
Não
se compreende muito bem que a criação dum curso que não trazia aumento
de despesa – o edifício fica com salas de aula suficientes e os
professores têm tempo para poder leccionar as disciplinas daquele curso –
não fosse um facto …
Agora
– muito tarde, quase no fim das férias as crianças terão que se
matricular noutros estabelecimentos de ensino, com multa e outras
despesas.
E,
no meio destas coisas todas, lamenta-se a Imprensa – desde a primeira
hora ao lado dos que se esforçaram pela criação do curso – tenha sido
esquecida e não tenha recebido qualquer informação, através da
Secretaria da Escola Técnica.
In jornal “Notícias de Penafiel” de 29 Setembro de 1961
O
Senhor Director, cheio de muito boa vontade, contou-nos as diligências
efectuadas, junto da Direcção Geral do Ensino Técnico, para a criação do
Curso de Formação Feminina.
Soubemos
assim, que o Sr. Dr. Hernâni é de opinião que as despesas com que seria
onerado o orçamento da Escola, com a criação do curso, são
infinitamente pequenas, em comparação com as vantagens evidentes que
aquele curso traria para a juventude de Penafiel.
Igualmente soubemos, que nesse mesmo dia o Sr. Presidente da Câmara teve uma demorada entrevista com o Sr. Dr. Hernâni.
O DIRECTOR DA ESCOLA EM LISBOA
Entretanto,
o Sr. Dr. Hernâni foi a Lisboa, na passada terça-feira, onde com o Sr.
Director Geral do Ensino Técnico se ocupou de vários assuntos
relacionados com a Escola Industrial de Penafiel, mormente o curso de
Formação Feminina.
Nesse
mesmo dia, no Ministério da Educação Nacional e dirigidos a Sua
Excelência, o Ministro, foram recebidos vários telegramas, todos eles
pedindo, ainda no corrente ano lectivo, a criação do Curso de Formação
Feminina.
Assinavam esses telegramas:
Presidente
do Grémio do Comércio; Direcção do Grémio da Lavoura; Presidente da
Câmara Municipal; Direcção da Associação de Bombeiros de Penafiel; D.
Maria Tereza de Vasconcelos, Directora da Casa da Sagrada Família;
Presidente da Junta de Freguesia de Penafiel; Presidente da Direcção do
Sindicato dos Caixeiros; Alberto Pinto & Filhos; Futebol Clube de
Penafiel; Albano & Miguel; Garagem Central de Penafiel Lda; Empresa
de Transportes Auto – Penafiel Lda e Notícias de Penafiel.
Numa
palavra, Penafiel, através dos seus mais ilustres representantes, pedia
ao Sr. Ministro a criação do Curso de Formação Feminino.
AS ALUNAS INSCRITAS PROVISORIAMENTE TELEGRAFARAM AO SENHOR MINISTRO
Soubemos,
igualmente que uma grande parte das alunas inscritas provisoriamente
telegrafaram ao Senhor Ministro da Educação Nacional, pedindo a criação
do curso.
Estamos convictos de que este telegrama deve ter calado bem fundo no espírito e na sensibilidade do Senhor Ministro.
Foram
aquelas jovens que cheias do seu espírito e do seu querer pediram a Sua
Excelência aquilo que bem pode ser a maior alegria da sua vida …
Até elas! …
In jornal “Notícias de Penafiel de 13 de Outubro de 1961
ENTREVISTA COM O DIRECTOR
O
Sr. Dr. Hernâni Dias da Silva confiou amavelmente as sua impressões, ao
questionário que lhe pusemos e, onde procuramos esclarecer a opinião
pública, de forma a que todos saibam a verdade e servindo-se dela possam
colaborar connosco.
Eis as perguntas e respostas:
- Que há o propósito de equipamento?
-
Lentamente vêm chegando coisas: Já cerca de 100 carteiras, hoje os
quadros pretos; aguarda-se os estiradores e as bancas. As fábricas
assoberbadas pela quantidade de trabalho, não podem satisfazer todas as
Escolas a um tempo e elas são … cerca de 120, pois muitas das antigas
estão recebendo material novo.
- Quanto, aos novos cursos?
-
O de Formação Feminina deve funcionar no próximo ano lectivo, mas, por
muito que a alguns pese, ele funcionará, sem dúvida alguma, dentro de
dois anos. Entretanto, aguarda-se o parecer da Junta Nacional sobre os
cursos Agrícolas. Foi estabelecida uma plataforma, para uma solução
provisória: o curso agrícola funcionará em regime de externato até a
liquidação do problema dos terrenos, e então seriam construídos os
pavilhões de internato. É este, pelo menos, o plano do Inspector Sr.
Eng.º Mário de Alegria.
- Insistimos na Formação Feminina, não haverá possibilidades este ano?
-
As autoridades superiores tomaram em boa conta a representação feita,
mas não podem anular dentro do mesmo ano escolar um despacho do
Ministério. Temos que aguardar o próximo ano. No entanto, entendo que o
movimento em prol deve ser mantido e sempre com o mesmo vigor.
- As aulas estão em plena elaboração?
-
Sim e não … compreende-se que sem material adequado, as aulas têm de se
revestir de aspectos teóricos. Mas é uma situação que pode durar uns
dois a três meses. De resto, é melhor
começar assim, do que as não começar. E, mais: não é caso único, o de
uma Escola começar a funcionar em Janeiro. Não nos podemos sobrepor às
realidades …
- E, a propósito da Cantina?
-
Estamos a legalizar a situação perante a M.P. e a M.P.F.. Aguardámos
pois um subsídio. Com ele esperámos não só alimentar a baixo preço os
alunos, como até equipá-los com livros (os mais pobres dentre eles). No
entanto, este ano a coisa será difícil, uma vez que o fundo de
camaradagem só agora vai ser criado e … obviamente não
há qualquer saldo. O fornecimento exclusivo dos cadernos diários, a
baixo preço aliviará, talvez, um pouco esta ausência de fundos que, de
forma alguma, podem sair da verba de instalação.
- Os alunos queixam-se de terem pouco tempo para o almoço?
-
E têm razão. Mas não podemos com quatro salas de aulas teóricas e uma
só de desenho, fazer um intervalo de duas horas, começando às nove e
acabando à hora de partida das camionetas!
Haverá
alguém que o possa fazer? O primeiro ano é de sacrifícios para todos,
alunos, professores, etc.. É preciso paciência, que tudo virá a seu
tempo.
- Tem a Escola já todo o pessoal?
- Há que distinguir vários tipos de pessoal: docente, administrativo e menor.
No
primeiro caso, além do Director e do Professor efectivo do 1º grupo, há
os provisórios, enviados pela Direcção Geral, nos termos do concurso
público. Faltava, ainda, preencher o lugar de Mestre de Trabalhos
Manuais, para o que se estão fazendo diligências junto de quem de
direito.
Quanto
ao pessoal administrativo, além de uma escriturária de 2ª classe,
ninguém mais existe, a não ser o funcionário da Escola Soares dos Reis,
em comissão de serviço por alguns dias.
A respeito de pessoal menor – ninguém … embora se aguarde a nomeação de um contínuo de 1ª classe.
- A que se deve a falta de pessoal?
-
Nesta época do ano os serviços são incalculáveis completos e as
instalações da Direcção Geral, de tal modo exíguas que necessariamente
os serviços sofrem atrasos.
Nestas afirmações do Sr. Dr. Hernâni – a perguntas nossas, feitas duma maneira inédita está toda a verdade …
Ao Sr. Dr. Hernâni um muito obrigado, pela forma agradável e simpática como tem colaborado connosco. Bem-haja.
In jornal “Notícias de Penafiel” de 20 de Outubro de 1961
ALUNAS DO 1º CICLO LICEAL INTERESSADAS
NO CURSO DE FORMAÇÂO FEMININA
ESCOLA TÉCNICA DE PENAFIEL
Tendo
chegado ao nosso conhecimento que pessoas interessadas no Curso de
Formação Feminina pensam não poderem fazer a sua inscrição após o 1º
Ciclo Liceal, informamos de que segundo os termos da lei tal facto é
absolutamente possível, mediante um leve exame de transição,
compreendendo as disciplinas de Desenho e Trabalhos Manuais.
As informações concretas devem ser obtidas na Secretaria da Escola e da Câmara, unicamente.
O Director da Escola
In jornal “Notícias de Penafiel” de Fevereiro de 1962
CURSO DE FORMAÇÃO FEMININA
Decorrem
já as matrículas na Escola Industrial e não se vislumbra qualquer
movimento no sentido de pedir superiormente a criação imediata do Curso
de Formação Feminina.
Há
muitas alunas que completaram, agora, o primeiro ciclo liceal e estão
em boas condições de ingressarem num curso que lhes permite acesso às
Escolas do Magistério Primário.
Aliás, o que se pretende para Penafiel está dentro do que já aconteceu em Matosinhos e em Ovar.
Mas,
ao contrário do que por aí se diz o Curso de Formação Feminina
funcionará em Outubro de 1963. Assim o diz a letra do decreto-Lei 43
401, de 15 de Dezembro de 1960 que criou a Escola Industrial de
Penafiel.
In jornal “Notícias de Penafiel” de 10 de Agosto de 1962








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